DICAS. Quando a pechincha é a maior das armadilhas do mercado de imóveis em Belém.


Quem não gosta de uma promoção? Gosta mais ainda se a promoção for uma verdadeira pechincha. Daquelas irresistíveis, que fazem você perder o chão e as vezes, a sanidade, pra não deixar passar o que parece ser a oportunidade de sua vida.

Quando isso acontece com o sonho da casa própria, qualquer razão parece ficar para trás e é neste ponto que mora o perigo. O barato certamente vai sair muito caro. Eu preparei algumas dicas sobre armadilhas comuns que você pode evitar quando conseguir pensar, por um segundo, antes de embarcar em uma aventura, só de olho no preço, sem atentar para outros detalhes, talvez, ainda mais importantes que ele.

Na capital paraense, imóvel sem documento legal é mais comum do que se imagina. Muito se deve e ingenuidade de quem, lá atrás, também caiu em algum "conto". Por outro lado, é possível que novos golpes estejam em andamento e você, que pouco sabe dos segredos desse mercado, nem percebe.

Recibo de compra não vale nada, sem que ele esteja amparado em um documento. Ou seja, é preciso que o vendedor comprove a propriedade, para que possa vender. Muita gente tá comprando sem saber de quem, exatamente. Outro detalhe. Recibo sem uma procuração pública que autorize a assinatura de uma escritura, também vai gerar problemas.

Outra armadilha muito comum, é do vendedor ou do intermediário que, para mascarar um problema muito grave, como uma hipoteca, um leilão iminente, ou mesmo a falta de autorização para vender, baixam o preço, e estabelecem um prazo pequeno, para você tomar a decisão. A ideia é fazer com que, pelo medo de perder a "boquinha", você  feche o negócio sem tomar os cuidados mínimos. É a mania de levar vantagem que faz levar gato por lebre.

Mesmo com a promoção de imóveis novos, esse cuidado deve estar presente. Uma promoção irresistível pode esconder a perda de vantagens ou mesmo uma maneira diferente de pagamento que pode , ao final, encarecer o que você julgava que estava barato. Como é responsável por tudo que assina, a dica é deixar a preguiça de lado e ler com detalhes os contratos. Se não entender, melhor admitir, e perguntar a quem sabe do que ignorar, e pagar caro por isso.

Mesmo quem está vendendo um imóvel não escapa da armadilha da pechincha. É cada vez mais comum, entregar o imóvel ao porteiro, ao zelador, e mesmo ao corretor que aceita receber muito menos do custaria um serviço de qualidade. Ao invés dos 5% de comissão do mercado, 2%,1% e mesmo alguns trocados parecem ser a opção pra ganhar mais uma vantagem. É o jeitinho brasileiro de novo em ação. Comissão menor, ou "trocado" de um lado podem representar o mesmo "trocado" do outro. Algumas das situações vão parar no Creci, o Conselho dos Corretores, outros, estão indo parar na polícia e na justiça.

Parte por problemas no negócio. Mas existe também a ameaça para quem contrata o vendedor irregular. Isso porque o exercício ilegal da profissão é aplicado a ele, mas pode, por extensão chegar a você. É a história da corrupção. Um só faz a coisa, se provocado pelo outro e os dois acabam cometendo a falta. O risco é grande demais quando a pechincha é capaz de cegar o homem. 

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