Vida Urbana : O fim de uma era no Rio dos anos 20



Um conjunto dos anos 20 na Copacabana de um Rio que não existe mais, o Santa Leocárdia, está com os dias contados.
De dois meses para cá, vários apartamentos vagaram — e não voltaram a ser ocupados. Fosse em condomínio distante, longe do filé da especulação imobiliária, não haveria surpresa. Mas no Santa Leocádia — um conjunto de 1929, encravado no mato, mas a três quadras da Avenida Nossa Senhora de Copacabana —, o vazio causou espécie.

— Quando os porteiros falaram que estava no quarto apartamento sem alugar, soou o alarme — conta Sol Azulay, estilista e moradora do local. — A fila para morar aqui sempre foi gigantesca.
O burburinho correu, e os inquilinos dos 27 apartamentos remanescentes se mobilizaram, até que, numa sexta-feira recente, a anestesista Miriam Heittmann, de 65 anos, interpelou o dono do edifício, Luiz Fernando Krause (que também mora no Santa Leocádia, em dois apartamentos). Ele começou a chorar.

— O Luiz Fernando disse que o prédio tinha sido vendido, que o trato estava feito, que nada ali tinha mais a ver com a família dele — lembra Miriam. — O pior é que ele é meu vizinho de porta. No ano passado, quando o rumor da venda começou a circular, me garantiu que nada ia acontecer.

Mas pode existir uma brecha para tornar a vida dos compradores mais difícil. De acordo com a notícia do Globo deste domingo, a carta aos locatários dava praso para desocupação, mas não teria citado a opção de preferência de compra, que caberia, mesmo que em alugueis indeterminados. Diz " O Art. 28 da Lei 8.245\91 estabelece o prazo de 30 dias para que o locador se manifeste em relação à proposta apresentada pelo locador."

Claro que dificilmente o inquilino teria condição de pagar o preço bancado pelo mercado, mas lei é lei. 

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