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Que mágica é essa, que fez todos se voltarem ao mesmo tempo para a capital paraense. Vale a pena voltar no tempo. Depois do efeito Encol que no início dos anos 90, deixou 42 prédios em construção e compradores a beira de um ataque de nervos, o mercado se recuperou lentamente e readquiriu a confiança.
Mais que isso. Numa região onde a má distribuição de renda provocava perguntas sobre a viabilidade da industria, os construtores locais foram extremamente hábeis em criar o cenário ideal. Foi a Leal Moreira com seu marketing baseado na confiança do nome. A Village, que ousou construir num dos mais frágeis solos da cidade, na Doca, até os mais novos como a Porte, que tem entregue num prazo mais curto que os mais antigos.
Aproveitando a falta de planejamento e o cenário de violência, o mercado viu longe a movimentação das famílias de maior poder aquisitivo, que pagava alto para ter, nos edifícios, parte do conforto e da saudade deixada nas casas. Apostou tudo em imóveis de alto padrão e consegiu fazer explodir os preços do mercado. Em alguns cenários, o metro quadrado subiu, estratosféricos 200% reais em poucos anos.
O imóvel usado subiu no rastro. E esse mercado que parece com sede de mais e mais é o que as construtoras nacionais estão visualzando. No cenário, a aposta no alto padrão deixou o mercado de um, dois ou três quartos como a maior promessa para negócios líquidos e certos dos próximos anos. Até os pequenos construtores de Belém, estão aproveitando a onda e partindo para a concorrência com os grandes.
A dúvida é saber se a enxurrada de ofertas vai , realemente, beneficiar o consumidor. Ímóvel mais barato, em boa localização e menor prazo ainda parece um sonho distante.